A saúde pública no Brasil

Dr. Décio Faraco de Azevedo

Cardiologia e Clínica Médica


No Sistema Único de Saúde (SUS), marcar consultas, exames, iniciar tratamento, demandam meses; cirurgias eletivas demoram anos, para urgentes não há leitos e os pacientes são medicados em cadeiras, macas e colchões pelo chão. Atendidos por ordem de chegada. Agora, com o Sistema de Gerenciamento de Internações (Gerint), deve melhorar. Mal dotado e incompetente, o Ministério da Saúde penaliza a população.


MÉDICOS

A maioria permanecia em regiões metropolitanas e mais de 700, contaminados pelo vírus da democracia, fugiram para os EUA. Em março de 2016 o Tribunal de Contas da União (TCU) exigiu mais transparência nos repasses financeiros feitos à OPAS, sugerindo que os intercambistas fossem responsáveis pela sua manutenção, sem qualquer repasse de seus vencimentos ao governo cubano. Estimou que, em três anos, o “Mais Médicos” custou aos cofres públicos R$ 13 bilhões, e que com esse valor poderiam ter sido construídas 14 mil Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) equipadas, com médicos e enfermeiras 24 horas por dia. Preceptores brasileiros para acompanhá-los escancara a insegurança do MS com o “Mais Médicos”. E nada melhorou. A “ambulancioterapia”, pacientes asfixiando emergências hospitalares e a agressão a médicos por pacientes insatisfeitos continuam. Mais racional seria importar gestores qualificados.

Como os cubanos se recusavam judicialmente retornar a seu país, Cuba reduziu-os para 7.000. Depois o MS lançou editais para a substituição parcial do “Mais Médicos” por outros intercambistas, inclusive brasileiros, formados em qualquer país, sem o Revalida, com “bolsa formação mensal” de R$11.520,00 para auxílio-moradia e alimentação, garantidos pelos municípios (Revista Cremers – Dez. 2016 – Edição 100).

Após o MS terceirizou os médicos, tornando-os mercadoria comercial, retirou-lhes direitos e, indiretamente, reduziu seus vencimentos, pressionando-os a atender mais pacientes por hora, a fim de reduzir filas e queixas, levando-os à chamada “medicina defensiva”, ou seja, proteger-se de viciosas ações judiciais gratuitas através de solicitação de exames, aumentando custos e reduzindo a qualidade do atendimento – pois história e exame físico tomam tempo, mas estreitam a relação médico-paciente e aproximam o diagnóstico. Mas o MS não sabe que médico trata doentes e não doenças e que, para manter seu “status”, os médicos trabalham em vários locais, chegando a trabalhar 60 horas por semana, tensos, dormindo pouco, comprometendo seu desempenho, tornando-os vítima da Síndrome de Burnout (esgotamento físico e mental). Agora Cuba retira todos os seus “mais médicos” porque o presidente Bolsonaro falou que exigiria o Revalida para todos os importados e proibir o envio de seus vencimentos aos países de origem. 


CURSOS DE MEDICINA

O governo então sugere criação de cursos. Temos mais de 169 cursos gerando 31 mil vagas (60% privados, com mensalidades de até oito mil reais, das quais 59% são deficientes, sem docentes qualificados, sem hospitais próprios, sem emergências, sem residência médica e ainda mais outros, em fase processual, solicitados por prefeitos. Verdadeiras ”fábricas de médicos”, As privadas crescem mais que o dobro que as públicas. É a mercantilização da medicina, agredindo a dignidade do médico e da população. Os Estados Unidos tem 125 cursos médicos e a China 150, com populações bem maiores que o Brasil.


LEITOS HOSPITALARES

A falta de leitos hospitalares ressalta a falta de UPAS equipadas. A OMS recomenda três a cinco leitos para 1.000 habitantes, e temos dois. O SUS perdeu 286 hospitais e mais de 20 mil leitos nos últimos oito anos, pois suas tabelas cobrem 60% dos custos hospitalares. Os filantrópicos estão fechando, pois se mantém a custa de doações e quermesses. Mesmo nos privados os pacientes ficam em fila nos corredores aguardando leito.


COMO MELHORAR A EFICIÊNCIA DA SAÚDE

1. Prova de proficiência: como ocorre na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

2. Prontuários eletrônicos com senhas médicas específicas: ao alcance de qualquer UPA, evitando repetição de exames, agilizando o atendimento e reduzindo custos.

3. UPAS: com infraestrutura, especialistas e enfermeiras 24 horas por dia, evitando que parturientes, pacientes graves, deficientes físicos tenham de percorrer quilômetros para realizar procedimentos simples.

4. Plano geográfico: para chegar a cidades de referência, com hospitais, salas cirúrgicas, pós-operatório, unidades de tratamento intensivo, médicos especialistas e enfermeiras permanentemente. Para a este plano geográfico apolítico deveria constituir-se comissão composta pelos presidentes do Cremers, da Amrigs e do secretário da Saúde do Estado.

5. Plano de carreira para médico: em tempo integral, mediante concurso público, nos moldes do judiciário, nos três níveis executivos, com vencimentos compatíveis com a responsabilidade de quem lida com a vida e permitir-lhe tranquilidade jurídica para manter sua educação continuada, pois médico nunca se forma. Assim os médicos irão aonde o SUS infraestruturado e equipado chegar. Certamente a qualidade do atendimento melhoraria, os pacientes se recuperariam mais rapidamente com redução de custos.

PS: Felizmente o presidente Jair Bolsonaro diz que vai melhorar a saúde, para a sorte da população brasileira. Tomara que o presidente trate do problema com a Associação Nacional dos Médicos e ouça suas sugestões e reivindicações e que faça o mesmo com a educação.