Dificuldades superadas e sonho realizado

Em uma trajetória incrível de superação, força de vontade e determinação o policial militar, Evandro Gomes Rodrigues, 37 anos, realizou, no início de dezembro, o sonho de ser médico.

Filho de pedreiro, mãe doméstica, cresceu junto de seus seis irmãos na cidade de São Gabriel. Uma família simples, mas enquanto o pai tinha saúde para trabalhar nunca faltou nada. Com o falecimento do pai, a situação ficou ainda pior.

“Tivemos que vender nossa casa e viver de aluguel. Fomos despejados de todos os lugares que moramos por falta de pagamento. A fome apertava, às vezes eu e meus irmãos ficávamos o dia todo deitados na cama, para esquecer a fome. Sonhávamos, às vezes, que estávamos em um supermercado e podíamos comer tudo que tinha lá” relata.

Outro problema que o menino enfrentou envolvia seus estudos. A escola onde estudava era muito distante, e devido às difíceis condições financeiras o trajeto era feito a pé. Apesar de tudo isso, ele sempre teve boas notas. Evandro cresceu e conquistou vaga no concurso da Brigada Militar, em 2006, classificando-se em primeiro lugar.

Em 2011, ele foi aprovado em 22º lugar no vestibular de medicina da Universidade Federal de Rio Grande – FURG. O sonho de tornar-se médico ficou mais próximo. Ele teria de trocar de cidade. Conseguiu a transferência de Caxias para Rio Grande com muita dificuldade. Ele estava decidido a deixar a BM se não fosse transferido. “Virava mendigo, mas não abriria mão de fazer medicina”, diz.

Em Rio Grande, Rodrigues foi muito bem recebido pelos colegas da Brigada Militar e conta que o comandante do batalhão ficou surpreso. “Como assim um soldado fazer Medicina?”, perguntou, já que seria difícil conciliar as atividades. “Respondi que não me importava de trabalhar à noite, de madrugada, dobrar serviços nos finais de semana”.

E foi assim durante todo o curso. As folgas obtidas eram sempre em véspera de provas para estudar mais, as quais eram compensadas em dobro nos finais de semana. Contando com o apoio e a compreensão de todos os colegas e cumprindo sua carga horária durante as madrugadas - a faculdade exigia presença em praticamente três turnos. Foi assim, com muitas noites sem dormir, que o soldado viveu os últimos sete anos.

Ao final de toda essa trajetória, veio a formatura. Na plateia, suas irmãs, sobrinhas e sua mãe. Aos 64 anos, Maria Genair Menezes Gomes, com a saúde debilitada, estava lá para acompanhar a grande conquista do filho. “A mãe estava na primeira fila, orgulhosa. Todas as manhãs de frio em que ela saia de casa para trabalhar, madrugada gelada da campanha, viúva, sem ninguém para lhe ajudar, quando tudo parecia distante e impossível, eis que tudo se concretizava ali no palco, mostrando que valeu a pena”, lembra o médico Evandro (CRM 4.5748), que segue na Brigada Militar, mas agora atendendo também em postos de saúde.