Quantidade de médicos não garante qualidade na saúde

Diante de questionamentos a respeito da Ação Civil Pública para bloquear a abertura da Faculdade de Medicina na Unijuí, o Cremers reitera que o objetivo é defender a qualidade na formação médica, ameaçada com a proliferação desenfreada de cursos no país.

O Cremers compreende que uma faculdade de medicina cria esperanças nos habitantes da região prevista para recebê-la. No entanto, sente-se obrigado a alertar que a instalação de um curso não é sinônimo de melhora no atendimento.

Uma faculdade não tem como garantir que os médicos por ela formados permaneçam na cidade. Não pode prometer que as consultas sejam marcadas com mais rapidez, nem que determinado plano de saúde tenha mais profissionais.

Ao contrário, vemos com frequência que os médicos formados no interior migram para os grandes centros em busca melhores condições de trabalho, de suporte tecnológico, de salários dignos, de residência médica.

Por isso, o Cremers acredita que mais uma faculdade de medicina (num país que já conta com o estratosférico número de 325 unidades, o dobro dos Estados Unidos), não é a solução para um problema real, profundo e sistêmico. Se fosse, o contingente de quase meio milhão de médicos atuantes no Brasil já teria dado conta da crise na saúde, que massacra a população há tantos anos.

Ijuí é uma cidade cercada por outras que já têm faculdades de medicina. Some-se a isso o dado de que a região conta com a média de um médico para cada 200 habitantes, muito superior ao preconizado pela Organização Mundial da Saúde (um médico para cada mil habitantes), e temos um quadro de excesso de profissionais. Mesmo assim, conforme relatos que recebemos pelas redes sociais, a população continua com dificuldade para marcar consultas e receber atendimento.

O Cremers não quer “sabotar” Ijuí, como já fomos acusados. Ao contrário: queremos que a comunidade se junte a nós na luta pela interiorização dos médicos, pela criação de uma carreira de estado, pela gestão eficiente de recursos que garanta condições adequadas de trabalho no interior. Esses, sim, são fatores que asseguram um atendimento de saúde mais ágil e satisfatório à população.


Dr. Eduardo Neubarth Trindade
Presidente do Cremers